terça-feira, 21 de setembro de 2010

Infanta de Cravo

à S.
gostmuity
Les feuilles jaunes survolent

Les hirondelles émigrent
Et l'amour reste em moi.



No passeio habitual com a companhia de S., C lembrou o Outouno. Por momentos, tinham se esquecido que o ano é dividido por etapas, estações, por vezes o ano tem ele mesmo outro ano dentro de si, como S. e C têm as suas vidas encaixadas umas nas outras. Mas não foi por isso que aqui vim. C reparou nas folhas amarelas acastanhadas, estaladiças ao pisar. reparou nelas e disse: já?. com o pé de dança, pôs uma ou outra filha de lado (fruto do Platano), e continuou caminho, sem se lembrar que com essas folhas caídas no seu caminho, uma nova etapa da vida chegava. Hoje, C. sentiu, ao sair de casa, a pureza do ar matinal com que encara todas as manhãs. sentiu que estava limpo, suave- fácil de respirar, entrava pelo nariz, criculando no seu corpo até aos pulmões, que por sua vez, expiravam dioxido de carbono; não deixando porém intoxicar aquela pura manhã de outouno. a primeira

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

morri no meio da rua, atravessei a rua, precisamente no meio- morri. apaguei, parei no meio, sozinha com o semaforo, respirei, pensei: morri no meio da estrada. não penso, serena continuei. o meu caminho para casa, a minha vida, dancei.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

PLUMAS




Através da terra o amor
torna-nos estranhos à terra
liga-nos a uma divina linhagem
com seu tormento inapagável
suas velocidades enormes

O amor vive na ponta dos cabelos

O amor, ditam os frios de coração, é ruinoso
qualquer momento em chamas
denunciará a imprecisa inquietação que nos toma

Os inocentes que se amam dizem
teu corpo está a nevar
tua alma é uma flor
um prado tranquilo sua noite

Os inocentes que se amam
por seu tormento elevam-se
como plumas
num chapéu de passeio

José Tolentino Mendonça

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Clarice Lispector.




“Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco:quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida”.