segunda-feira, 29 de novembro de 2010

LEÃO no mar

   Se eu criasse um heterónimo, ele seria. O meu heterónimo chamar-se-ia Bailarina, bailaria pelos seus problemas. Isto é, não faria destes uma bola de neve crescente à medida que o tempo fosse passando, mas dançaria frente a frente com eles até -chegarem à coreografia perfeita- até o terem resolvido, aquele passo díficil que é o canto de cada dança.
   A Bailarina é inesperada, surge sem explicação, pode ser observada através de um sorriso pois é assim que vê a vida que para ela é - a dança. Ninguém a detem, vai bailando pelo salão, contente por saber que o seu trabalho é apreciado, mas sem se preocupar se quem o aprecia é mestre de dança, ou, puro amante da dança... sem quaisquer pudores. A Bailarina sabe que, de alguma forme da mais bela ou da mais bruta, a sua dança entra pelos olhos de quem é cego ou de quem pensa ver e alguém a chamará para viver. Este meu heterónimo não complica a sua visão da vida pois esta é magia inesperada da dança que constroí. A  Bailarina é livre como o vento, deixa-se ir com a corrente sem muito barafustar. No entanto nunca se deixa influenciar, indo com a corrente, mostra a sua dança, a sua maneira de viver e persuade a multidão a ser diferente. A Bailarina aparenta ser frágil, com o seu corpo franzino e olhar meigo dos olhos pretos, mas continuará "a ressoar pelos séculos da ginga". O seu momento preferido é a passagem de ano, aquele milésimo de segundo que já não é o ano presente, mais ainda não o é, pois é aí que recorda tudo o que fez e o que quer fazer. A Bailarina, não exagerando, nem complicando, olha para a coreografia da sua vifa e faz-lhe o balanço, o contratempo, pois há memórias que se esquecem, mas a dança não. A Bailarina não se importa de falhar, o erro permite-lhe recomeçar o jogo e aperfeiçoá-lo sem nunca chegar à perfeição inexistente.
   "Bailarina fui mas nunca bailei" como escreveu Sophia. Eu gostarua de ser espontânea como ela, a Bailarina, é na sua maneira de dançar, despreocupada. "os dois vencemos um bicho  chamado CANÇÃO. Portanto entre nós (será) a dança."
e assim acaba uma viagem