quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

f a d o

a cidade está velada.
velada de choro evaporado.
vapor do meu suor de subir e descer as sete colinas
o rio, é dela a vista, é meu

domingo, 27 de novembro de 2011

ɔ

a lua perfeita, uma lamina branca, um C ao contrário.
a vista da minha janela parece uma casa no natal.
o bosque é o pinheiro, os faróis as luzes, as ruas as fitas ou os fios de luzes, as folhas as bolas com brilhantes.
o fio de luzes percorre o segundo terço do bosque, quando o semáforo está vermelho, as luzes ficam no modo imóvel, quando fica verde, os faróis vão descendo o fio, lentamente, até ao próximo semáforo. como se de uma procissão de luzes se tratasse. uma a uma nos encanta e nos hipnotiza, como a lareira de casa no natal.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

abraça

A B R A C A D A B R A


A B R A C A D A B R


A B R A C A D A B


A B R A C A D A


A B R A C A D


A B R A C A


A B R A C


A B R A


A B R


A B



A



A B


A B R


A B R A


A B R A C


A B R A C A


A B R A C A D



A B R A C A D A


A B R A C A D A B


A B R A C A D A B R


A B R A C A D A B R A

semáforo

semáforos de cores, semáforos de símbolos, de luzes, de ideias, semáforos de estações
tudo tem uma ordem, tudo é vicioso, tudo é virtuoso, tudo depende de onde vemos o semáforo, se de cima, de baixo, da esquerda, da direita.
ontem vi um semáforo de folhas, uma só árvore e um conjunto de 3 cores: verde, amarelo, vermelho. vi 3 árvores de semáforo: a 1ª de folhas verdes, a 2ª de folhas amarelas, e a 3ª de folhas encarnadas como os lábios ensanguentados do frio. do outro lado,  a 3ª era é a 1ª, a 2ª a 2ª e a 1ª era  é a 3ª. todas em comum têm a caducidade.
hoje vi a lua pendurada, um baloiço branco branco, e vi a lua, como o sol, cair, devagar, devagarinho no bosque. vi a lua ao contrário, de branca passou a amarela, de amarela a laranja, de laranja a romã e de romã a nada.
amanhã vejo as folhas que foram verdes no chão, as árvores no mesmo sítio, e a lua crescer.
a lua e o sol dependerão se estou no outono ou no inverno. ou no país do faz de conta.

domingo, 23 de outubro de 2011

saudades é querer comer

Quis escrever!
tenho escrito muito estes últimos tempos, escritos diários.
hoje senti um resumo de ultimamente e contei à bailarina que me respondeu:
acordei e o sol já cá estava, quis voltar para matar saudades. com o sol vieram as joaninhas!
na terra que viu crescer a bailarina, a chuva quis matar saudades, e deixou o sol vir aquecer as bochechas rosadas da bailarina.
a elegância da bailarina é assunto motivo de possível preocupação, não tem dançado e só come!
 a bailarina perguntou-me, C sabes o que há de melhor no mundo? - o quê? - o abraço.
hoje recebi 2 abraços dos pais de uma científica, não me podia ter sabido melhor, disse-me ela.
mas não sabia ela, que ao chegar a casa, iria receber um telefonema directamente da casa onde vive a Lua, falou com Jupiter, Marte, Venus, Saturno. Saturno contou que Mercúrio de certa forma expressou saudades da bailarina.

quero dançar!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

cacela velha

um homem de uma mão e uma tenaz. tez escura, enrugada, nela sulcam cordas de pesca. essa tenaz transportou-nos para  aquela que viria a ser a viagem de barco no ar - foi como se tivessemos ido ao encontro do castelo no ar de solness e hilde.
esse castelo de areia não tardará a ser engulido pela Raia, dividindo o castelo em ilhas. um dia, será só saudade.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

nu e cru

Ela ri-se, de um modo nervoso e inquieto, já não sabe o que fazer e como fazê-lo. Já só sabe que a vida é assim mesmo: encontros e despedidas.
Depois senta-se, acende um cigarro. concentra-se e do riso passo ao sério. como é bonito ver a mãe a trabalhar pensou a bailarina. o cigarro aceso, entre o dedo indicador e o grande, perto da palma da mão, vai ao encontro da cara séria, tornando-a ainda mais trabalhadora e concentrada, despede-se com fumo, e ela é artista.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

"- Dá-me um beijo - o último na Terra - e vai!"

um homem, três canas de pesca, dois peixes e um deitado - devolvido- ao mar.
na solidão acompanhado. dois peixes, três canas de peixes, um pescador, três mulheres.
uma mulher, três ondas - uma rebentada-, um peixe devolvido ao mar. dois olhos postos : no mar, recua e vê: um homem, uma cana de pesca, e todo o artefacto preciso para realisar toda esta actividade de consciencialisação; dá um passo atrás ainda com os olhos postos no mar, mas agora vê, mais duas canas de pesca cada uma na sua direcção. não quero recuar mais, ao recuar mais seria olhar para trás, para mim.

Saisa, 03.04.2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

dance, dance, otherwise we are lost

será Dança?
será Teatro? ou simplesmente
VIDA
AMOR
LIBERDADE
LUTA
ANSIEDADE
ALEGRIA
DESESPERO
ENCONTRO
BELEZA
FORÇA

domingo, 6 de março de 2011

a luta é alegria

uma nova geração.
antes, a bailarina crescia e não envelhecia. os seus coreografos já tinham crescido, e ao assistir a bailarina crescer, envelheciam. agora estes coreografos deram à bailarina, infantes. a bailarina cresceu, e agora sente-se envelhecer ao ver os infantes crescerem. um dia, a bailarina, espera dar-lhes cristais, que por sua vez lhes irão dar corais. e todos crescemos para depois envelhecer e dar alegria ao ver nos crescer e envelhecer. se é que este sentimento é mesmo de envelhecimento e não de crescimento interior e de um coração que aprende a ver e gostar de todos, um coração que se tronará o reino deles. que será dominado pelos que virão.

o tempo vence toda a ilusão

à Maria, a pioniera das crianças indigo

por várias vezes falámos dos cristais, como são frágeis como o mundo, como são claros e inocentes, tal como as crianças indigo, que somos nós, curandeiras -fazemos sorrir.
cotejo-te com o mito do Encoberto.Aquele que um dia há de voltar para nós.
Daqui a 60 000 anos, espero voltar a ver-te, (re)ter-te, como num círculo perfeito percorrido pelo tubo feito pelo mergulho. dois pontos, dois compassos rodando em sentido contrário, encontrar-se-ão para se reconhecerem, continuarem no compasso da solidão, para se encontrarem após outros 60 000 anos. no dia por que esperaram 60 000 aqueles anos, culidem e abraçam-se, sabendo que tudo foi um sonho, sorriem, e dizemos adeus com os olhos - esses cristais verdes translúcidos e brilhantes.
o sonho comanda a vida
e eu sonho 
porque hoje faz 60 000 anos 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

pipeline completo pela manhã

hoje o céu cortou a vista. Lisboa acabava no delinear daquelas palmeiras. o limite de lisboa. atrás da névoa, adivinhei o castelo, o convento, as colinas. o Tejo era nuvem. as tágides apagavam-se cada uma a seu tempo. devagarinho. depois, aquele mito (de inverno), o sol, entrou de fato laranja a cor de rosado por mim a dentro. e fui para trás desta torre de onde lanço atiro as minhas tranças rapunzel

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

sábado, 1 de janeiro de 2011

um

começa o último ano das nossas vidas como nos habituámos a ela.
é o ano em que deixamos de ser pequeninos, o principio da nossa independencia -até agora eramos autónomos, a nossa liberdade de escolha. estamos a crescer. a escolha é sinonimo de liberdade, de crescimento.
eu cresço e hei de dançar.