quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

saudades do futuro


quando aquilo por que ansiaste tantas vezes, acontece
quando aquilo que por tantas vezes ansiaste, deixa de acontecer

quando aquilo aconteceu deixei-me ansiar 
quando a ânsia deixou de acontecer.


, pedi-te tantas vezes que aparecesses, agora que preciso do contrário, dás-me o que quis. aquela ânsia de te ver, de ter um sinal teu, que bom que era quando aparecias. agora.
agora, só a neve cai.
 cai de-va-gariinho, deixando-se ver.
cristal a cristal.
deixando-se fazer sentir na cara, depois na mão, na pele quente de querer. que cai e abre o coração. que caindo te faz sorrir. uma vez no chão, poisada como uma flor delicada, sorri-te e diz: 
- agora sente, agora vê. agora eu sei.
enquanto caía, tu sentias-te quente; agora caída, a tua pela está fria. fria como quem amou. de uma frieza tão seca que aquece. de um sorriso, como aqueles de quem tem sono, aqueces-te lembrando de quando ansiavas para que eu aparecesse. 
mas não apareças mais. não apareço mais
a neve veio, 
com um brilhosinhos nos olhos, 
e um sorriso quebrado 
nos deixou.


e eu, fico esperando que essa ânsia que é o amor - este amor - desvaneça como a neve que hoje me deu os bons dias.


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